quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Dica de leitura: A CASA DAS SETE MULHERES

Já que começamos a falar na Semana do Gaúcho, vamos falar da Revolução Farroupilha. O evento histórico tão caro aos gaúchos. O conflito, que foi de 1835 a 1845, foi a mais longa guerra civil acontecida em solo brasileiro. Aconteceu, entre outros motivos, por causa que o governo imperial de então não dava a devida atenção à economia da província, ou seja, preferia comprar o charque (carne-seca) dos países platinos porque era relativamente mais barato que o charque produzido na Província de São Pedro. Revolução Farroupilha, por dois motivos: por causa do partido republicano do RS, também conhecido como Farroupilha (motivo hoje aceito pelos historiadores), e por que os revoltosos lutaram com roupas sujas e rasgadas, pelas quais eram chamados de "farrapos" (motivo que por muito tempo perdurou como sendo o oficial). Revolução, aliás, não sertia o termo mais adequado: o correto seria dizer Guerra dos Farrapos, pois Revolução, mesmo, só é admitida na fase que vai de 1835 a 1836, quando foi proclamada a República Rio-Grandense - que, infelizmente, não durou muito: após o tratado de Ponche Verde, firmado em 1845, o RS voltou a compactuar com o Império, pois este voltou a comprar nosso charque.

A Guerra dos Farrapos foi uma luta contra a opressão do governo imperial. Ou, como diria o grande Tapejara, o Último Guasca, "foi uma guerra inútil". Pois não acabou com a opressão nem umas pivica! A Guerra dos Farrapos foi, sim, a guerra dos grandes proprietários de estância e dos grandes charqueadores contra as imposições do governo imperial. Pois seus líderes foram, em sua maior parte, proprietários de estância. Hoje, os historiadores estão desconstruindo a visão heróica da Guerra, que tanto acalentou os sonhos da gauchada, e inspirou tantos artistas. Entre eles, o infame (para os tradicionalistas) Tau Golin, autor de Bento Gonçalves, o herói ladrão, uma visão nada romântica do principal líder da Guerra dos Farrapos.
Ah, mas o momento foi propício para mim, que recentemente adquiriu o best-seller A CASA DAS SETE MULHERES, da gaúcha Letícia (xará da minha personagem!) Wierzchowski.
Essa obra, como é bem conhecido o fato, inspirou a célebre minissérie da TV Globo, adorada pelo público e odiada pelos historiadores. Eu não assisti a minissérie toda, só alguns capítulos. Mas o livro também causa muita espécie.
A trama básica de A CASA é a seguinte: ao romper da Guerra dos Farrapos, Bento Gonçalves deixa sua mulher, Caetana, seus filhos e sobrinhos em uma estância, pertencente a D. Ana, irmã do líder, a fim de se protegerem da guerra. Pois, como a guerra dura cerca de dez anos, a espera das mulheres pela volta de seus homens é angustiosa, pontuada por alegrias e tristezas. É, por assim dizer, uma visão feminina da Guerra, pretensão da autora, que escreveu a obra enquanto esteve grávida de seu filho. Assim, foi uma dupla espera: de Letícia Wierzchowski, por seu filho, e a das mulheres, por seus familiares que estão na guerra.
A CASA é um livro bom, mas meio sentimental. A impressão que se tem é que se trata de um romance daqueles Sabrina, Bianca e semelhantes, mas sem um final feliz para todas as tramas. Pelo menos foi a impressão que eu tive, principalmernte nos trechos dos Cadernos de Manuela, que lamenta a ida de seu grande amor, Giuseppe Garibaldi, o "herói de dois mundos".
Diversas tramas vão se desenvolvendo nos capítulos do livro: a angustiosa espera de Caetana, com as indas e vindas de Bento Gonçalves e seu filho Joaquim; a paixão de Manuela por Garibaldi (Manuela de Paula Ferreira, sobrinha de Bento Gonçalves, a "noiva de Garibaldi", se apaixonou pelo aventureiro italiano quando ele foi à estância de Dona Antônia construir os célebres lanchões; por conta de sua paixão, ela renega seu noivo, Joaquim, e acaba por morrer solteirona [trouxa apaixonada?], pois Garibaldi leva consigo Anita Garibaldi - a "heroína dos dois mundos", mas que para Manuela não passava de uma sirigaita [perdoem-me os tradicionalistas...]); a loucura de Rosário (ao contrário da minissérie, o leitor sabe desde o início que Steban, o soldado imperial pela qual a garota se apaixona, era um fantasma, que só Rosário via); a paixão proibida de Mariana, que engravida de João Gutierrez, um empregado da estância, por isso sua mãe, Maria Manuela, renega o netinho (esta história paralela termina com um final feliz: maltratada pela mãe, Mariana vai viver com D. Antônia, tem o filho lá, o marido João, que fora despedido da estância, vai para a guerra, perde uma mão, mas retorna vivo para os braços de Mariana e do filho Matias e todos eles vivem felizes...); e, claro, os acontecimentos da Guerra dos Farrapos, que acontecem paralelos: a proclamação da República Rio-Grandense, a prisão e a fuga de Bento Gonçalves, o episódio do transporte dos lanchões através dos pampas em carroções, a batalha de Porongos... enfim, a Revolução Farroupilha na visão feminina.
Os heróis da revolução - Bento Gonçalves, Garibaldi, Davi Canabarro, Antônio de Souza Netto e outros - são retratados com romantismo, passionalidade, como convém à novela. E podem esquecer aquela trama canastrona do Bento Manuel tentar conquistar a Caetana: Bento Manuel não é o vilão do livro. Aliás, a novela não tem vilões, afinal se trata de personagens que existiram mesmo. E na História não podem existir heróis e vilões, apenas os atos de uma pessoa podem justificar sua fama.
O caso é que, como não existem muitos registros históricos sobre as famílias dos líderes ou sobre o que as mulheres citadas no livro faziam nesses longos dez anos, a autora preencheu lacunas com recursos ficcionais. Aliás, nem temos como saber o que é fato e o que é ficção na história narrada no livro, mas tudo bem. Nem tudo tem que ser como realmente aconteceu.
Enfim, A CASA DAS SETE MULHERES. Se você viu a minissérie, leia o livro. A minissérie era belíssima, e teve o plus de ter alavancado o nosso turismo, por causa dos cenários deslumbrantes dos nossos pampas. Sem falar que nesta série, o ator Werner Schunemann foi revelado para o restante do país. Mas será que Bento Gonçalves tinha a cara do Werner Schunemann? Ou será que era o Antônio de Souza Netto que tinha? (para quem não sabe, Schunemann atuou em um filme sobre a Guerra dos Farrapos, Netto Perde Sua Alma, onde ele faz o papel de Antônio de Souza Netto, o proclamador da República Rio-Grandense...
Vale a pena. Ainda mais nesta Semana Farroupilha. A Semana dos heróis romantizados da nossa guerra. Ou seria Revolução?
E, para encerrar, fiquem com mais Teixeirão.

Um comentário:

gracyene disse...

pq? steban aparecia pra rosario? e pq? ele tinha tanto medo do coronel bento gonçalves? e pq? ele fez com qer rosario se matasse com sua propria espada ,eles ficarm juntos depois da morte,ou ele era apenas uma assombração q seduzia garotas indefesas??????????