quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Falando em eleições... 90 CHARGES DIRETAS 89


Hoje, já que começamos a falar de eleições, vou resenhar mais um livrinho. Tem a ver com política. Já que estamos em época de eleições, nada mais oportuno do que lembrar uma época.
Hoje, as eleições são mais simples, pois temos a urna eletrônica. Mas a confusão durante as campanhas, com ataques pessoais entre candidatos, pesquisas que não confirmam muito, e o caráter de muitos candidatos, que prometem e quando são eleitos não cumprem, continuam as mesmas, desde quando o Brasil voltou a ter um regime político democrático.
Estou falando das conturbadas eleições de 1989, para a presidência da República. Ou, por assim dizer, a primeira tentativa do Lula para chegar à presidência da República... Mas sabemos que quem chegou à presidência, em 1989, foi Fernando Collor, com o apoio da Rede Globo (segundo dizem). E deu no que deu até 1992, quando foi decretado o Impeachment do bonitão, hoje senador.
Digo conturbada, porque é o primeiro sentimento que vêm à cabeça ao folhear o livrinho 90 CHARGES DIRETAS 89, uma seleção de 90 charges, publicadas originalmente pelo jornal Folha de São Paulo, retratando o período.
As charges são de autoria de Spacca e Glauco, sempre alternando um e outro. Os dois são considerandos entre os melhores chargistas do Brasil - inclusive Glauco, o grande companheiro de Angeli e Laerte nas publicações da Circo Editorial (leia-se: Circo, Geraldão e Chiclete com Banana), o criador do Geraldão e o terceiro de los três amigos.

Este livrinho demonstra o quanto o humor serve para o cidadão tomar consciência da realidade em que vive. Transcrevo um trecho do prefácio do livro, de Carlos Eduardo Lins da Silva:
"O humor é um relevante meio de se observar a realidade. Não tem a precisão e o detalhamento do texto jornalístico e muito menos dos ensaios das ciências sociais, mas atinge o leitor com rapidez e agudeza. Se o artista é arguto, crítico e inteligente, (...) a charge pode ter impacto comparável ao de um bom artigo."
Pois é. Quem trabalha com desenho sabe disso muito bem. As charges também podem servir como uma excelente ferramenta educacional, pois permitem uma boa análise do clima da época a que se referem. Diferem-se do cartum por sua temporalidade, ou seja, o cartum pode ser compreendido em qualquer época, enquanto que a charge perde sua graça com o passar do tempo, e para entendê-la temos de recorrer ao fato em questão.
Bom. Aqui, em 90 CHARGES DIRETAS 89, temos um pequeno panorama do clima das primeiras eleições democráticas que o Brasil teve desde o fim do Regime Militar: a candidatura de figuras como Collor, Lula, os finados Leonel Brizolla e Ulysses Guimarães, Orestes Quércia, o "houdini" político Paulo Maluf e até o homem do SBT, Sílvio Santos! Até o ex-presidente Jânio Quadros estrela algumas charges.
Também temos: as primeiras reações dos brasileiros, segundo os humoristas, à propaganda política, a famosa afirmação de que "mais de oitocentos mil empresários irão embora do país" se o Lula ganhasse, o célebre embate entre Brizolla e Maluf representado graficamente, e muito mais.


Não sei se escolhi bem as imagens que ilustram o post. Mas é só para dar uma idéia do livro. E de como aquela época devia ser conturbada. Afinal, tínhamos uma economia muito frágil e doente, uma política muito maluca... é mole? Prova de que o que vemos hoje, na nossa política, na verdade não é de hoje.
Pena, no entanto, que não houvesse a transcrição das notícias a que as charges se referem (só os títulos e as datas), nem um comentário de Spacca a Glauco. Mas, ainda assim, é legal, pelo menos, ver o Lula tal como o conhecemos, em 1989, não o Lula de hoje, o "paz e amor".
Bom, e já que estamos chegando à época da Semana Farroupilha, a charge de hoje, já publicada, serve de ponte entre a política e os gaúchos, pois apresenta outro conhecido personagem meu, o Teixeirão (publicado, em forma de tiras, no fanzine Quadrante X. Em outra oportunidade, eu apresento a vocês a publicação em questão - ou acessem o blog do Quadrinhos S.A., vejam na seção de links).
Afinal, ética e vergonha na cara é o que falta hoje a muitos políticos. Coitada da velhinha!

Um comentário:

felipe miranda disse...

queria ter um exemplar deste.