segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Aguentando a derrota como um homem... paranoico

Olá.
Neste momento em que escrevo, já faz mais de 24 horas que as eleições terminaram. E o povo brasileiro decidiu estender o governo do PT para 16 anos: Dilma Rousseff, a atual presidente, foi reeleita.

Nas eleições mais imprevisíveis, mais apaixonadas e mais furiosas de nossa história, o Brasil optou, novamente, por deixar as coisas como estão.
Os que esperavam o contrário, que finalmente o PT terminaria seu mandato - como eu, por exemplo - tiveram uma das maiores frustrações de sua vida desde julho de 2014, quando o Brasil perdeu para a Alemanha nas semifinais da Copa do Mundo. De 7 a 1!
Sinto-me frustrado, não pela derrota de Aécio Neves, mas porque sei que, agora sim, vou ser execrado. Vão me xingar. A maior parte de meus amigos no Facebook, onde se concentrou grande parte da guerra entre partidos, venceu. Eu bem que tentei ser polêmico, eu bem que quis motivos para ser xingado porque, numa postagem anterior, declarei meu voto para Aécio Neves. Mas fiquei do lado dos perdedores. Agora, sim, vão me xingar: "como pode, Rafael, seu idiota que acredita na Veja! Seu cupincha da direita! Nós bem que avisamos: declarar voto no PSDB é ficar contra o povo, contra as mudanças sociais alcançadas nos últimos anos! Você estava então concordando que os pobres não poderiam mais viajar de avião, cursar universidade e concordava que 'tem mais que devolver pra senzala a tigrada que o Lula e a Dilma tiraram da linha da miséria'?" Vamos, podem dizer que eu sou, e fui, um mané. Afinal, segundo o que meus amigos petistas provavelmente estarão pensando - e permita Deus que eu esteja enganado - o PSDB só se importa com a economia, com a imagem do Brasil lá fora, e o povo que se dane... "O povo tem de trabalhar, não para receber esmola do governo", devem estar pensando os prováveis radicalistas da direita, e não duvido que eles existam...
Mas não sou o único que está frustrado, e a eleição demonstrou isso: Dilma venceu por uma pequena diferença. Uma vitória apertada de pouco mais de 51%, contra pouco mais de 48% de Aécio. Isso demonstra que não é toda a população brasileira que está satisfeita, que está se sentindo beneficiada pelo governo do PT. O Brasil se dividiu, amizades foram destruídas, na vida real e na vida virtual.
Quero deixar claro que não tenho nada contra o povo, e até simpatizo - mas não totalmente - com o PT. Não sou beneficiário do Bolsa-Família, não fiz faculdade pelo ProUni e não pleiteei o Pronatec, trabalho como professor, classe historicamente negligenciada. Meu carro foi comprado usado, é abastecido em posto da Petrobrás - e por isso fico descontente com o atual escândalo de corrupção que está sendo noticiado. Os programas de incentivo ao consumo estão aumentando nossas dívidas.
E já ouvi, hoje, lamentos de gente que esperava que o PT fosse sair do poder. Já ouvi lamentos de que o povo não aprendeu a lição: não aprendeu a votar, esse povo ignorante. Reelegeu a Dilma, reelegeu o Tiririca, reelegeu o Jair Bolsonaro, reelegeu o Celso Russomano...
Ah, mas no meu estado natal, o Rio Grande do Sul, não demos essa alegria ao PT: continuamos com a tradição de não reeleger governador. Elegemos José Ivo Sartori, do PMDB, o novo governador, substituindo Tarso Genro, do... PT.
E já ouvi gente dizendo que quem ganhou a eleição no Brasil não foi a Dilma, foi o Bolsa-Esmola, digo, Bolsa-Família. Já ouvi gente dizendo que o Bolsa-Família tinha mais é que acabar, pois só serve para "sustentar vagabundos com o dinheiro de nossos impostos, e ainda tem gente que vende a comida para comprar drogas"...
Agora, se o segundo governo de Dilma vai ser pior ou melhor que o primeiro? O tempo e as urnas em 2018 vão dizer. Mas estou confiante de que, como ela prometeu em discurso ontem à noite, após o anúncio da vitória, a tão sonhada reforma política vai sair. E espero que o fim da reeleição seguida para todos os cargos eletivos esteja incluída.
Espero que Dilma consiga escapar da já observada "Síndrome do Segundo Governo": um primeiro governo notável, um segundo governo medíocre, prenunciando uma grave crise.
Bem, estou pronto. Podem me xingar. Podem parar de ler este blog, porque este mané só esteve vendo os malefícios ("que malefícios, seu maluco? Tudo conversa da oposição! Tudo boato da Veja, aquele papel higiênico em papel-revista!", dirão meus amigos) do governo petista durante a campanha política.
Que malefícios? Posso citar a corrupção na Petrobrás, mas não vai ser um bom argumento. Posso citar a recessão econômica técnica pela qual o país está passando, reconhecida pela imprensa internacional, mas vão me acusar de ignorante, que só acredita na Rede Bobo, digo Globo, esse "órgão a favor da imprensa golpista de direita"...
Mas quem sabe eu esteja apenas delirando. Talvez estas palavras vomitadas sejam apenas mais uma garrafa no oceano: quase ninguém vai dar atenção à minha tentativa de polemizar. Tem sido assim desde que comecei a publicar textos na internet. Não dou mesmo para o comentarismo. Ninguém diz se gostou ou não. É isso, sou medíocre.
Então tá, vou voltar apenas a resenhar quadrinhos e a publicar desenhos. Assim eu ganho mais.
Até mais.

Um comentário:

Cássio Freitas disse...
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