sábado, 19 de fevereiro de 2011

Livro: LOBO-DO-MAR NO SUPERMERCADO

Olá.
Hoje, além de inaugurar no blog um novo gadget, o das postagens populares (e me sentindo meio constrangido de as postagens mais populares do Estúdio Rafelipe, nesses três anos, terem sido as dos animes hentai Bakunyuu Oyako e Super Sexy Andoroid Pinky), vou falar de livro.
Hoje, as novas gerações não conhecem a literatura do mar, ou seja, os livros que tratam de aventuras marítimas. Sejam elas as conhecidas histórias de piratas, navegadores heróicos, relatos fantásticos. O cinema ajudou a afundar a velha literatura do mar. Hoje, a moda literária do momento são os vampiros; mas houve um tempo em que faziam sucesso as aventuras de piratas heróicos - mesmo que essas aventuras se distanciem da realidade da pirataria, uma vida de combates cruéis, apreensões de navios, assassinatos.
Os jovens de hoje ignoram heróis dos sete mares - a menos que esses heróis tenham ganho um filme.
Com esta introdução, hoje falo de um livro que tem tudo a ver com a literatura dos sete mares.
Da minha estante, resgato da poeira mais um livro da série Diálogo, da editora Scipione, uma coleção de literatura infanto-juvenil que fazia algum sucesso nos anos 90 do século XX: LOBO-DO-MAR NO SUPERMERCADO, de Julieta de Godoy Ladeira.
Este livro foi escrito em 1988. Ilustrações de M. Ângela Haddad Villas.
O tema abordado em LOBO-DO-MAR NO SUPERMERCADO é o confronto entre a fantasia e a realidade, uma época em que a literatura acalentava os sonhos juvenis com muito mais efgiciência que a televisão e o cinema.
Dividido em três partes, a narrativa em terceira pessoa das aventuras do jovem Zizo vão do real para o imaginário. E é uma homenagem à literatura - são muitas as referências literárias, que vão de Jack London, Ernest Hemingway, J. M. Barrie, Rafael Sabatini, Herman Mellville e até Lewis Carroll e Monteiro Lobato.
Bão. O enredo.
Zizo é um garoto pobre e sonhador que ajuda nas despesas da casa trabalhando como carregador de compras em um supermercado. Órfão de mãe, ele mora com o pai e com a avó; o pai, Toninho, trabalha cortando panos para fazer camisas, e, embora nunca tenha sido marinheiro, gostava de contar histórias sobre o mar. Pai e filho, durante o tempo livre do trabalho, trabalhavam montando um barco de miniatura, a quem chamam Denise - homenagem à falecida mãe de Zizo.
A história começa quando um estranho homem faz compras no supermercado - um homem trajado de pirata. Esse homem, mais tarde, encontra Zizo, e ambos começam a conversar sobre uma estranha aventura que ambos tiveram. Esse homem se chama Lobo Larsen, o personagem principal do romance O Lobo do Mar, de Jack London. É a partir daí que Zizo se recorda quando tudo começou.
Após a caracterização da vida de Zizo, conforme descrito acima, a história começa, em um flashback.
Começou quando, durante um dia de trabalho, Zizo conhece um homem elegante, chamado Carlos, que faz uma compra farta no supermercado, e revela, numa conversa rápida com o garoto, que possui um barco. Zizo se interessa pelo assunto, e os dois rapidamente travam amizade.
Pouco depois, Zizo, Toninho e a avó inauguram o recém-terminado Denise numa viagem a Santos. Mas Zizo não parou de pensar em Carlos e tudo o que ouviu falar sobre o barco e sobre sua casa de veraneio em Ilhabela, no litoral do estado de São Paulo. Ao se encontrarem de novo, Zizo vai à casa de Carlos. Depois de pensar sobre se Deus sabia dividir entre os homens a riqueza do mundo - afinal, existe um abismo entre as vidas de Zizo e Carlos, um menino pobre da periferia e um médico rico - , resolve propor uma troca com o homem: trocaria o Denise pela chance de poder andar no barco do médico, chamado Nora. Mas Carlos - ou Carlão - , um homem generoso, decide levar Zizo em um fim de semana em Ilhabela, sem nem aceitar a troca.
Também é nessa visita que Zizo conhece a filha de Carlão, a espevitada Diva.
Em Ilhabela, além de conhecer o barco de Carlão - o que já é uma grande aventura para um menino com suas condições materiais - , Zizo conhece seus companheiros de aventura: Diva, que se irrita quando a apelidam de Divagar - e que já numa primeira conversa revela algum preconceito contra o menino, perguntando se ele era trombadinha; Glorinha, a linda namorada do outro filho de Carlão; e Dom Pepe, um velho marinheiro, o imediato de Carlão no Nora.
Durante o passeio de barco, acaba ocorrendo uma estranha tempestade. E, inesperadamente, no meio das ondas revoltas, aparece um veleiro antigo. É aí que a segunda parte da aventura começa.
O veleiro, que aborda o Nora, é comandado por Lobo Larsen e pelo Capitão Ahab (o louco caçador de baleias de Moby Dick, de Herman Mellville). Também fazem parte da tripulação do veleiro o Capitão Blood (o bucaneiro do romance homônimo de Rafael Sabatini), Santiago (o velho pescador de O Velho e o Mar, de Ernest Hemingway), e até o Capitão Gancho e Peter Pan (ambos de Peter Pan, de J. M. Barrie). Carlão, Diva e Glorinha se assustam com as atitudes a princípio hostis dessa tripulação - até mesmo Zizo, apesar de já ser familiarizado com esse universo literário. No entanto, à medida que a tripulação do veleiro e a turma moderna convivem, a convivência vai mudando - Zizo até mesmo simpatiza com o Capitão Gancho, que apesar de ter sido eternizado como um pirata cruel, se mostrou uma boa pessoa. O grupo literário, além de viver aventuras extraordinárias pelos oceanos à procura de tesouros, também estão escapando do Corsário Negro, o navio inimigo mandado por Iolanda, a noiva de Blood, para resgatá-lo.
O grupo se encontra em Ilhabela por um motivo especial: resgatar a Chave do Tamanho, que nesse momento está com Wendy (a quase-namorada de Peter Pan) e com Alice (ela mesma, a do País das Maravilhas!). E ambas se encontram nesse momento dentro do Príncipe de Astúrias, um navio afundado na região.

PAUSA PARA UM POUCO DE HISTÓRIA
O Príncipe de Astúrias pode ser considerado o Titanic brasileiro. O transatlântico, vindo da Espanha com destino à Argentina, afundou no litoral brasileiro em 6 de março de 1916, perto de Ilhabela. Além de uma fortuna em ouro, dólares e libras, o Príncipe de Astúrias transportava um grupo de esculturas, conhecido como Los Españoles, que serviriam para terminar um monumento na Argentina; no entanto, reza a lenda que as estátuas eram amaldiçoadas.

CONTINUEMOS:
Bem, suspeita-se que Wendy queria a Chabe do Tamanho para abrir a cabine onde Los Españoles se encontrava - porém, conforme se revela mais tarde, os motivos da fuga de Wendy e Alice eram outros. E é Zizo quem é designado para mergulhar até os destroços do Príncipe de Astúrias, para convencer Wendy a voltar - Peter Pan sentia saudades dela - e recuperar a Chave do Tamanho. Nesse momento, Zizo precisa encontrar nessa aventura fantástica a solução para a realidade em que vive. Cogitando até mesmo escrever um diário, Zizo decide se tornar um herói como aqueles que admirava. E até mesmo os personagens literários acabam se tornando turistas nas praias modernas brasileiras!
A narrativa da autora acaba se perdendo na metade da história, fica mal-ajambrada perto do desfecho. No entanto, é uma grande homenagem à literatura e ao prestígio que ela gozava em outra época. Quem é familiarizado com os clássicos da literatura, vai reconhecer a turma que cruza o caminho de Zizo e seus companheiros; quem não conhece, a intenção é procurar saber quem eles são - em outras palavras, ler os respectivos livros.
Enquanto houver chance, não esqueçamos os clássicos do mar! É o apelo que faço a quem estiver lendo este post.

Para encerrar, hoje encerro mais um arco de tiras de Letícia, iniciada a alguns dias atrás. Como falamos de marinheiros, este arco de Letícia faz uma homenagem ao marinheiro Popeye, o grande marinheiro das HQ e dos desenhos animados. Tudo por influência do meu inquieto sobrinho Gabriel, que voltou a curtir os DVDs desse personagem.
As tiras também podem ser lidas no Quadritiras (http://www.quadritiras.com.br/) e, num futuro próximo, no Blog da Letícia (http://leticiaquadrinhos.blogspot.com/), que nesse momento reinicia o arco A Infância de Letícia. As tiras de Letícia estão sendo republicadas na ordem em que foram publicadas no Estúdio Rafelipe - para avisar quem chegou agora.
Até mais!

Um comentário:

ITAJACI MACHADO disse...

ADOREI A INDICAÇÃO DO LIVRO QUE FALA DO MENINO ZIZO

PARABÉNS!