segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Nota de falecimento: MOACYR SCLIAR

Olá.
Neste início de semana, estão acontecendo muitas coisas. Eu comecei um novo emprego de professor, desta vez como funcionário público municipal aprovado em concurso (algo que há muito minha família esperava); a festa do Oscar, que desta vez contou com uma disputa acirrada pelos melhores prêmios (mas alguém duvidava que a Natalie Portman fosse ganhar o Oscar de melhor atriz por Cisne Negro?). Porém, a semana também começa com tristeza: um de meus escritores favoritos, o gaúcho Moacyr Scliar, faleceu neste domingo, 27 de fevereiro de 2011, vítima de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) decorrente das complicações de uma cirurgia.

Scliar nasceu em Porto Alegre, em 1937. Formado em Medicina pela UFRGS, em 1962, Scliar também trabalhou como médico especialista em Saúde Pública e professor universitário.
Tanto sua formação como médico como a religião sob a qual foi criado - o judaísmo - refletiram na sua obra, vasta e muito variada. Scliar escreveu para diversos gêneros literários: romance, conto, ensaios, infanto-juvenis. Foi considerado um dos melhores autores brasileiros do realismo fantástico - em muitos contos e romances, situações mágicas aconteciam e se misturavam ao cotidiano comum. Mas também, em suas crônicas, Scliar revelava uma vasta cultura literária e médica - como nas crônicas que ele mantinha em três colunas semanais do jornal Zero Hora de Porto Alegre. Confesso que, de muitos assuntos, inclusive referentes a histórias da Bíblia, aprendi muito mais lendo as crônicas do Scliar que a própria Bíblia. Até porque Scliar escrevia para que todos entendessem.
Suas crônicas também tinham um acentuado humor judaico, principalmente quando ele relatava, através da ajuda dos leitores, os "nomes que condicionam destinos", aqueles nomes de pessoas que, coincidência ou não, determinam a carreira de uma pessoa no futuro.
Scliar tem uma vasta obra, e dentre seus livros mais conhecidos, estão os romances A Guerra do Bom Fim (1974), O Exército de Um Homem Só (1974), O Ciclo das Águas (1977), Mês de Cães Danados (1977), Os Voluntários (1979), O Centauro no Jardim (1980), Max e os Felinos (1981), Sonhos Tropicais (1992), A Majestade do Xingu (1997), A Mulher que Escreveu a Bíblia (1999) e muitos outros; os livros de contos Histórias de Médico em Formação (seu primeiro livro publicado, em 1962), O Carnaval dos Animais (1978), A Balada do Falso Messias (1976), O Anão no Televisor (1979), entre outros; e os infanto-juvenis Cavalos e Obeliscos (1981), O Tio que Flutuava (1988) e Introdução à Prática Amorosa, entre outros.
Scliar também ganhou diversos prêmios com suas obras e teve muitas delas traduzidas para outros idiomas, como inglês, francês, búlgaro, espanhol e polonês. Foi eleito em 2003 para a Academia Brasileira de Letras. Era casado desde 1965 com Judith Oliven e tinha um filho, Roberto.
Fica, aqui, um registro de memória de um dos melhores escritores e cronistas brasileiros da atualidade.
Para encerrar, eu resolvi fazer um desenho que reflete a condição de um escritor em duas épocas distintas: quando ele ainda usava a máquina de escrever, e atualmente quando ele utiliza o computador.
Na verdade, é uma reflexão de quando eu comecei a escrever. Entre o final dos anos 80 até o início dos anos 2000, eu ainda usava a máquina de escrever para redigir contos e esboços de romances; mais tarde, descobri os computadores e as vantagens presentes no editor de texto, que permitem escrever, revisar e rescrever um texto até achar que está bom.
Como a escrita evoluiu com o tempo! E, certamente, Scliar também precisou se adaptar às mudanças.
Até mais!

Um comentário:

D@nil.B disse...

Que pena, mas um excelente escritor foi-se para a biblioteca divina.
Que descanse em paz!