sábado, 11 de outubro de 2008

História das Histórias em Quadrinhos - 3a Parte

Olá.
Com vocês, a terceira parte da História das HQ.



ANOS 30, PERÍODO DE EXPLOSÃO OU “ERA DE OURO” DAS HQ (1929 – 1940)Foi o período em que grande quantidade de personagens célebres surgiu. As HQ, até então marcadas por personagens infantis e aspectos cômicos, passam a investir em tramas de aventura (adventure strips). Esse tipo de HQ tem sua origem ligada aos pulps, as revistas de contos e novelas de ficção que, para serem baratas, eram impressas em papel de má qualidade. Foi nos pulps que surgiram personagens como Tarzan, Sombra, Conan o Bárbaro e Buck Rogers. E a aceitação do novo gênero foi facilitada pelo clima da Grande Depressão Americana (1929 – 1933), onde o pessimismo reinante estimulou a fantasia e o escapismo – e, na época, as HQ eram uma forma barata de entretenimento, que fazia sucesso juntamente com os seriados de cinema e os já referidos pulps. A partir de 1933, circula um novo veículo de divulgação de HQ, as revistas em quadrinhos, que se consolidaram com as histórias de super-heróis. Fatos e personagens representativos do período:
· 1929 – Nos EUA, Tarzan, adaptação de Harold (Hal) Foster para o personagem criado em 1912 pelo escritor Edgar Rice Burroughs; o marinheiro Popeye é incluído no Thimble Theatre de Elzie Segar e, mais tarde, vira o personagem principal da série. Popeye é considerado, por alguns especialistas, o primeiro herói com poderes das HQ; e Buck Rogers, criação o escritor Philip Nowlan (do seu romance Armaggedon 2419, publicado em 1928) e adaptado para as HQ por Nowlan e Dick Calkins (com assessoria de John F. Dille), o primeiro herói de ficção científica das HQ; Na Bélgica, Tintin, de Hergé (Georges Rémi), no jornal Le XXe Siècle, uma das mais conhecidas HQ de aventura européias;· 1930 – Nos EUA, Blondie (Belinda), de Chic Young (Murat Bernard Young), a primeira tira a ser publicada em mais de 1000 jornais (marca que seria alcançada - e ultrapassada - posteriormente, por tiras como Recruta Zero, Peanuts, Hagar o Horrível, Garfield e Calvin) e uma das três mais vendidas do mundo (ao lado de Peanuts e Garfield); Joe Palooka (Joe Sopapo), de Ham Fisher, que se tornaria o primeiro personagem de HQ a se engajar na 2a. Guerra (o autor também foi cercado de polêmica quando foi revelado que Fisher explorava seus assistentes - entre eles, Al Capp, no início de sua carreira)· 1931 – Nos EUA, Dick Tracy, de Chester Gould, e Betty Boop, de Max Fleischer, estréia nos desenhos animados. A personagem, que chega às HQ em 1935, é uma das precursoras do erotismo nas HQ, ainda que de forma inocente; No Japão, Norakuro, de Suiho Tagawa, uma das mais famosas animal strips do país;· 1932 – Na Inglaterra, Jane Poucarroupa, de Norman Pett; Nos EUA, Henry (Pinduca ou Carequinha), de Carl Thomas Anderson;· 1933 – Nos EUA, Brick Bradford, de William Ritt e Clarence Gray; Rádio Patrulha, de Eddie Sullivan e Charlie Schmidt; Nancy (Periquita, na América Latina) aparece pela primeira vez dentro da série Fritzi Ritz (criada em 1922), criação de Ernie Bushmiller; é lançada a Funnies on Parade, a primeira revista em quadrinhos, iniciativa de George Janosik, Harry Wildenberg e Maxwell C. Gaines. As primeiras 10 mil cópias dessa revista eram distribuídas através de cupons para produtos da Proctor & Gamble. Ainda nesse ano, Gaines lança sua segunda revista, Famous Funnies: A Carnival of Comics, esta a primeira revista vendida ao público;· 1934 – Nos EUA, Mandrake, de Lee Falk e Phil Davis; Alley Oop (Brucutu), de Vincent T. Hamlin; simultaneamente, saem Flash Gordon, Jim das Selvas e Agente Secreto X-9, todas de Alex Raymond (o último, com texto do escritor noir Dashiel Hammet). Das três, Flash Gordon é a mais conhecida obra de Raymond, e foi a mais influente, já que a NASA, posteriormente, utiliza croquis de naves retirados dessa série para resolver problemas em seus foguetes Além disso, Flash Gordon foi um dos primeiros heróis de HQ adaptados para o cinema, em forma de seriado, a partir de 1936; L’il Abner (Ferdinando), de Al Capp (Alfred G. Caplin), family strip que satirizava o american way of life de então; Terry e os Piratas, de Milton Caniff, artista conhecido como o Rembrandt dos quadrinhos; Reizinho, de Otto Soglow; o Pato Donald, de Walt Disney, estréia nos desenhos animados (o personagem chega às HQs em 1938); Na França, Prof. Nimbus, de A. Daix;
· 1935 – Nos EUA, Bronco Peeler (Red Ryder), de Fred Harman, Rei da Polícia Montada, de Allen Dean, e Lone Ranger (Zorro), personagem radiofônico criado por George Trendle e Fran Striker e adaptado às HQ por Charles Flanders, são as pioneiras HQs de faroeste; Little Lulu (Luluzinha), de Marjorie (Marge) Henderson Buell, uma das séries precursoras do feminismo nas HQ (Marge é considerada a primeira mulher na profissão de cartunista); O major Malcolm Wheeler-Nicholson cria a editora National Allied Publishing, que daria origem à DC Comics. Aliás, o primeiro título da National, New Fun, revoluciona por apresentar HQs inéditas (até então, as revistas em quadrinhos limitavam-se a recompilar tiras de jornal). O primeiro herói da editora é o Dr. Oculto, criação de Jerry Siegel e Joe Shuster; Na Espanha, Cuto, de Jesus Blasco;· 1936 – Nos EUA, Fantasma, de Lee Falk e Ray Moore (o primeiro herói uniformizado. Em 1996, ele ganha adaptação cinematográfica, por Simon Wincer); o Green Hornet (Besouro Verde) estréia no rádio, criação de George Trendle e Fran Striker (o personagem chega aos quadrinhos na década de 40); Burne Hogarth, artista considerado o "Michelângelo dos Quadrinhos", assume as histórias de Tarzan, com a saída de Hal Foster; Em Portugal, surge a revista O Mosquito, um dos mais importantes títulos de HQ (por lá, Banda Desenhada ou BD) do país. A revista publica material de artistas estrangeiros e locais; destes, um dos mais importantes foi Eduardo Teixeira Coelho (E. T. Coelho ou ETC);· 1937 – Nos EUA, Príncipe Valente, de Hal Foster, sua obra-prima (HQ que não utiliza balões em seu texto, apenas legendas); Família Adams, de Charles Adams (a tenebrosa família ganha duas séries live-action em 1964 e 1998, duas séries em desenho animado em 1973 e 1993, e três adaptações cinematográficas, em 1991, 1993 e 1998); Sheena, de William Thomas (pseudônimo usado por Will Eisner) e Jerry Iger (Sheena é apenas uma das inúmeras criações de Eisner e Iger, ambos à frente da S. M. Iger Studios [ou Eisner-Iger Studios], que também deram vida a personagens como Lady Luck, Doll Man, Blackhawk e Wonderman, este último um dos primeiros plágios do Superman. Além disso, Eisner revela artistas como Jack Kirby, Bob Kane, Jules Feiffer e André LeBlanc, todos ex-assistentes seus); surge a revista Detective Comics, pela editora homônima (cujos donos eram Harry Donenfeld e J. S. Liebowitz), o título mais longevo das HQ americanas (é publicado até hoje, pela DC Comics). Mais tarde, a Detective Comics se associa à National de Wheeler-Nicholson, originando de fato à DC Comics (a editora só adotaria o nome definitivo em 1976);· 1938 – Nos EUA, o detetive oriental Charlie Chan, criação literária de Earl Derr Biggers (1925), chega às HQ, por Alfred Andriola; Superman, de Jerry Siegel e Joe Shuster, publicado na revista Action Comics no. 1, é o precursor dos super-heróis (a Action Comics no. 1 é a revista mais cara da atualidade, tendo sido arrematada em leilão por 400 mil dólares). É o início da chamada Era de Ouro dos super-heróis, uma vez que muitos “supertipos” surgem no rastro do Superman; Na Bélgica, surge a revista Spirou;· 1939 – Nos EUA, Batman, de Bob Kane e Bill Finger, na revista Detective Comics no. 27; Capitão Marvel, de Charles Clarence Beck, na revista Whiz Comics no. 2, da editora Fawcett (das tantas “cópias” do Superman, esta foi uma das mais bem-sucedidas. Ele também foi o primeiro super-herói, em 1941, a ganhar um seriado de cinema, seguido mais tarde por Batman, em 1943, e Superman, em 1948); a editora Timely, de propriedade de Martin Goodman (fundada nesse mesmo ano), lança a revista Marvel Comics no. 1, onde debutam Namor, o príncipe submarino, criação de Bill Everett, e Tocha Humana, de Carl Burgos (Namor, entretanto, já havia aparecido, meses antes, na revista Motion Pictures Funnies Weekly, a ser distribuída nos cinemas, no entanto sem êxito. A história dessa revista foi, depois, ampliada para o lançamento na Marvel Comics no. 1). A Timely, mais tarde, origina a Marvel Comics;· 1940 – Nos EUA, Brenda Starr, de Dale (Dalia) Messick; The Spirit, de Will Eisner, revoluciona as HQ através da introdução de novos elementos em sua linguagem: fusões, cortes, ângulos insólitos e cinematográficos e o uso peculiar das sombras; na revista Flash Comics no. 1, da editora All-American Publications (de propriedade de Maxwell C. Gaines, fundada em 1938), surgem Flash (Jay Garrick, o Joel Ciclone) e Gavião Negro, ambos com texto de Gardner Fox e arte, respectivamente, de Harry Lampert e Dennis Neville; na revista All-American Comics no. 16, surge o Lanterna Verde, de Bill Finger e Martin Nodell; na revista Adventure Comics no. 40, aparece Sandman (Wesley Dodds, o primeiro a adotar o codinome na história das HQ); na revista PEP Comics no. 1, da editora MLJ (companhia fundada em 1939 por Maurice Coyne, Louis Silberkleit e John L. Goldwater), surge The Shield, o primeiro herói patriótico americano (outro herói importante da editora foi The Comet, o primeiro super-herói a morrer em cumprimento ao dever); a introdução do personagem Robin (Dick Grayson), dentro das aventuras do Batman (na revista Detective Comics 38), desencadeia a onda dos sideckicks (parceiros-mirins de super-heróis, cujos outros representantes mais notórios, posteriormente, são: Bucky [Capitão América], Centelha [Tocha Humana], Kid Flash [Flash], Aqualad [Aquaman], Ricardito [Arqueiro Verde] e Moça-Maravilha [Mulher Maravilha]); já em Batman 1, aparece pela primeira vez o vilão Joker (Coringa), antagonista mais representativo do homem-morcego, cuja criação é atribuída a Jerry Robinson; O Sombra, célebre personagem dos pulps e do rádio, chega às HQ (em 1994, o personagem ganha adaptação cinematográfica, por Russel Mulcahy).
Convém que se citem aqui, também, as chamadas dirty comics (ou eight pagers, por serem em formatinho e geralmente com oito páginas), revistas clandestinas escritas por autores anônimos, carregadas de deboche e sexo explícito.

Na quarta parte, em breve: os anos 40.

Um comentário:

Erica disse...

SOU ALUNA DO CURSO DE PEDAGOGIA,E TÔ DESENVOLVENDO UM TRABALHO INTERDICIPLINAR EM UMA INSTITUIÇÃO INFANTIL PÚBLICA,E LÁ VAMOS DESENVOLVER UM INTERDICIPLINAR COM O TEMA: LINGUAGEM ORAL E ESCRITA DA CRIANÇA,E PENSEI EM MONTAR UM ESPAÇO DE LEITURA NA ESCOLA ,COMO VAMOS TRABALHAR COM CRIANÇAS 0 Á 6 ANOS PRECISAMOS DE REVISTA EM QUADRINHO ,E QUERIA SABER SE VOCÊS PODEM DOAR OU FAZER UM PACOTE PRA GENTE MAIS BARATO ,VAMOS PRECISAR DE 100 Á 200 REVISTA A DEPENDER DO PREÇO,MAIS SE VOCÊS PODESSE DOAR SERIA UMA BOA,E QUEM PRATROCINAR, ESTAREMOS DIVULGANDO A MARCA,LÁ VAI TER VÁRIAS PESSOAS IMPORTANTES É UM MEIO DE DIVULGAÇÃO ,MEUS CONTOS:EDUARDO-ERICA@IG.COM.BR,TEL:07133019425FALAR COM ÉRICA