sábado, 31 de março de 2012

ELFEN LIED - os monstros somos nós

Olá.

Hoje, para espairecer um pouco, e quebrar o que está sendo uma rotina nas postagens deste blog, volto a falar de quadrinhos – ou, mais precisamente, de mangá.
Já faz muito tempo que eu queria falar desta série. Simplesmente não posso adiar mais. Preciso falar desta série, ou vou enlouquecer. É simplesmente a série de mangá mais perturbadora que um fã de cultura pop japonesa pode suportar.
Então, hoje vou aproveitar a oportunidade e falar de ELFEN LIED.

Esta série começou a ser publicada no Japão em 2002. Seu autor se chama Lynn Okamoto. Vocês podem não acreditar, mas houve quem dissesse que Okamoto, pelo estilo de desenho que empregou em ELFEN LIED, fosse uma mulher, visto que existem mulheres desenhistas de shounen mangá (mangá para rapazes). Não. Okamoto é homem. Ele alcançou projeção mundial com Elfen Lied, sua primeira série de mangá, publicada na revista Young Jump da editora Shueisha, de 2002 a 2008, totalizando 12 volumes encadernados. No Brasil, os 12 volumes foram lançados pela editora Panini entre 2010 e 2011.
A fama desse mangá aumentou quando ele foi adaptado para anime em 2004 (do anime, falarei depois). Atualmente, Okamoto dedica-se a série Nononono, sobre o mundo do snowboard.
Esta série não pode ser classificada facilmente como um shounen mangá. Perto de ELFEN LIED, outras séries shounen, como Dragon Ball e One Piece, apesar de abusarem da violência, não passam de quadrinhos para criança. ELFEN LIED contém doses cavalares de violência, nudez feminina e promoção da reflexão e da discussão de questões polêmicas, como abuso sexual, violência física e psicológica, ética na ciência, etc. Outra grande polêmica da série reside em sua arte, bastante criticada, que carrega nas costas um ótimo roteiro. Mas disso trataremos mais adiante neste artigo.
Bão. A trama de ELFEN LIED gira em torno da convivência entre seres humanos e uma raça mutante, tida como o próximo estágio da evolução humana, os Dicornius. Essas criaturas, é preciso esclarecer antes, têm aparência humana, mas duas características que as diferenciam do homo sapiens: a presença de chifres na cabeça e o estranho poder de criar mãos invisíveis – chamadas vetores – com as quais podem trucidar seus inimigos. No caso... os seres humanos. O nascimento dos dicornius é resultado de uma mutação gerada por um vírus, chamado vírus vetor, que pode converter um bebê humano, ainda na barriga da mãe, em um dicornius (ou, de acordo com a terminologia da série, um silpelit, meio humano, meio dicornius), que começa a matar desde criança.
A convivência entre humanos e dicornius é conflitante: os homo sapiens oprimem os dicornius, através do preconceito e do uso indiscriminado dos mesmos para experiências científicas não raro cruéis; já os dicornius tem em mente matar e trucidar os seres humanos, antes para vingar as atrocidades cometidas contra eles que para substituir os homo sapiens na face da terra. E, para completar a desgraça, quase todos, ou melhor, TODAS AS dicornius e silpelits são mulheres ou meninas. Dentro do contexto, parece só uma desculpa para Okamoto desenhar livremente mulheres e meninas peladas, já que boa parte das dicornius que aparecem na série anda nua. Bem, é o básico para entender a história de Lucy e Kouta, os personagens principais da série.
Ah, em tempo: o título ELFEN LIED, numa tradução aproximada, significa “a canção dos elfos”. É uma referência a uma peça de ópera homônima, composta pelo alemão Hugo Wolf, de onde foi extraído o termo “silpelit”, uma espécie de fadinha. Aliás, a canção é parte importante da trama da série.
Bem.
A história começa dentro de um laboratório localizado em um centro de pesquisas em uma ilha distante do mar do Japão. No instante em que o supervisor do tal laboratório, o sisudo Kurama, está recebendo um representante do governo nas instalações, um erro na vigilância permite a fuga de uma das dicornius que estava sendo mantida ali. E essa dicornius é considerada a mais perigosa de todas, por ser, ao contrário das outras dicornius, a única com capacidade reprodutiva. Conhecida como Lucy, essa dicornius trucida os guardas e promove uma chacina em sua fuga da instituição – incluindo a atrapalhada Kisaragi, a secretária de Kurama, que é decapitada na frente dele. Mas, durante a fuga, Lucy recebe um tiro na cabeça, mas não morre – ela estava de capacete. E consegue fugir pelo mar.
Ao mesmo tempo, conhecemos o outro personagem principal da série, o jovem Kouta. Ele, recém aprovado em uma faculdade, está de mudança para Kanagawa, uma cidade litorânea do Japão. Ali, ele reencontra a prima Yuka, que não o via desde a infância.
As coisas começam a acontecer quando Kouta e Yuka, durante um passeio na praia, encontram uma garota saindo do mar, nua – essa garota não é ninguém menos que Lucy, porém ela chega ali desmemoriada, assustada, e falando apenas “nyuu”, e com o comportamento e a mentalidade de uma criança recém-nascida. Sem entender muito bem o que aconteceu, e espantados ao verem que a garota possui chifres na cabeça (portanto sem saberem com o que estarão lidando), Kouta e Yuka resolvem levar a jovem para casa. Ou melhor, para a casa onde Kouta vai morar – um ryoutei, ou um restaurante, abandonado e transformado em casa, o Solar Kaede. Esse casarão foi dado a Kouta para ele morar enquanto freqüenta a faculdade, com a condição que ele faça a faxina.
Kouta, um rapaz marcado por uma terrível tragédia pessoal – a morte do pai e da irmã mais nova – sofre de uma espécie de amnésia, que o faz esquecer o passado ou lembrá-lo de modo confuso. Por isso, ele é esquentado, tem dificuldades para se relacionar ou entender os sentimentos dos outros, porém, quando se afeiçoa a uma pessoa, procura protegê-la ao máximo. É o que acontece inicialmente no caso de Lucy – que Kouta chama de Nyuu, por ser a única coisa que ela consegue falar: quando a dicornius quebra uma concha que Kouta guardava como lembrança da irmã, ele briga, e ela foge – e é encontrada horas depois, na praia, catando conchas para compensar a concha quebrada. Só aí Kouta resolve perdoá-la.
Já Yuka, a prima, é quase uma jararaca – mas sem ser excessivamente maldosa – em relação às outras garotas da série: profundamente apaixonada por Kouta, não se conforma por ele ter esquecido da infância que os dois tiveram – parece ter dificuldades em entender que o rapaz passou por uma experiência traumática, e não esqueceu por querer. Além disso, é extremamente ciumenta com as outras garotas que aparecem – e Lucy/Nyuu não é a única garota que vai morar no Solar! – e vive batendo em Kouta ao menos deslize, seja nas respostas, seja no contato físico com outras garotas. Pior que Kouta faz aquele tipo certinho e irritante das séries japonesas – aquele que fica constrangido quando várias garotas bonitas se jogam em seus braços, e não consegue se explicar diante das situações “constrangedoras”.
Já Nyuu, por conta do tiro que levou, desenvolve duas personalidades: como Nyuu, é quase uma criancinha, boazinha, inocente, que tem prazer em ajudar e em apalpar os seios das outras garotas – uma sensação de prazer que ela descobriu “por acidente”, quando Kouta tentou trocar suas roupas; porém, submetida a traumas, violências ou emoções muito fortes, Nyuu pode retomar a personalidade de Lucy, uma dicornius amargurada com a humanidade – por ter sido rejeitada na infância, traída pelas pessoas que julgava amigas e submetida a experimentos cruéis – e com propensão a matar, pura e simplesmente. Uma besta fera, quase. Além de terem olhares diferentes – Nyuu tem aqueles olhos enormes tradicionais dos mangás, enquanto Lucy tem olhos amendoados e um olhar “malvado” – ao contrário de Lucy, Nyuu é incapaz de usar os vetores para matar.
A primeira vez em que a personalidade de Lucy se manifesta foi justamente quando o tal laboratório envia uma equipe especial de soldados para Kanagawa, à procura de Lucy – a dicornius precisa ser eliminada, do contrário, a humanidade é que será eliminada. Dentre os soldados, está o insano e violento Bandou, que tem prazer em matar e, além de ser uma metralhadora de palavrões, não tem pena nem de mulheres e nem de crianças. Quando ele e seu parceiro de armas chegam à praia, sob uma forte chuva, eles nocauteiam Yuka e Kouta – que estavam ali justo no instante em que Nyuu estava à procura das conchas – e também a dicornius. Quando tudo parecia fácil demais, Lucy desperta: mata o parceiro de Bandou e, após uma violenta luta, mutila e cega o soldado. Só não o mata porque a personalidade de Nyuu vem à tona justo nesse instante.
Bandou é salvo por outra personagem importante da série, uma menina chamada Mayu. Mas não demora muito para os caminhos dessa menina e o de Kouta, Yuka e Nyuu se cruzarem. Mayu é a personagem que mais causa pena ao leitor: ela vivia nas ruas, como uma mendiga, apenas com a roupa do corpo e dependendo da bondade da balconista de uma lanchonete para se alimentar – Mayu tinha treze anos. Fugiu de casa por um motivo revoltante: sofreu abuso sexual do padrasto, porém foi rejeitada pela mãe. E sua única companhia é um cachorrinho, Wanta. Também é extremamente tímida, tem dificuldades para falar o que realmente sente (chega a ser irritante as suas frases excessivamente pontuadas de “huumm”, “hããã”...). Demora um pouquinho, mas Mayu é definitivamente acolhida por Kouta, Nyuu e Yuka na casa, na condição de inquilina. Mas não sem sofrer mais um pouco, principalmente depois que a dona de Wanta o encontra e o leva embora. O estranho é que Wanta, mais tarde, volta, sem se saber como, a viver com Mayu!
Antes disso, entra em cena outra personagem importante: outra dicornius, chamada Nana – conhecida também como Número Sete (Nana é “sete” em japonês). Ela, que trata o supervisor Kurama como um pai – mais como apoio emocional frente às terríveis experiências a que é submetida – é encarregada de localizar Lucy (uma coisa que esqueci de dizer é que as dicornius podem localizar a presença uma da outra à distância). Entretanto, ao encontrar a dicornius – que, devido a um acidente doméstico, novamente manifesta a personalidade de Lucy – Nana quase se dá mal: ao enfrentar a perigosa personagem, Nana, que pode usar os vetores, é cruelmente mutilada – tem os dois braços e as duas pernas arrancados. Tudo porque Mayu apareceu de repente e presenciou a luta, na qual Nana estava em vantagem. Nana é salva por Kurama. Ganha braços e pernas mecânicos, e não demora muito, o caminho dela cruza novamente o de Kouta, Nyuu, Yuka e Mayu.
Aliás, Nana também é um personagem que causa pena: após ganhar os braços e pernas mecânicos, a garota dicornius é posta numa cápsula e é mandada para Kanagawa – Kurama decide abandonar Nana a matá-la. Abandonada, sem conhecimento do mundo, numa terrível crise existencial e sem saber lidar com dinheiro, Nana é encontrada por Mayu, e as duas rapidamente se tornam amigas. Mas o desastre maior acontece quando Mayu leva Nana para o Solar: ao reconhecer Lucy, ainda sob a personalidade de Nyuu, Nana a agride, e é severamente repreendida por Kouta. É claro que Kouta não acredita quando Nana conta que Lucy é perigosa – afinal, Nyuu, até o momento, nunca manifestou sua personalidade hostil na frente de Kouta. Porém, mais tarde, graças à intervenção de Mayu, Nana é aceita no Solar.
A dicornius é diferente por ser boa-praça e não ter matado uma pessoa sequer em toda a série. Após receber afeição por parte de estranhos, Nana mostra que os dicornius, no fundo não são maus, e podem sim conviver com os humanos, em harmonia. Só precisam de uma chance.
Mas é claro que o restante do mundo não pensa assim. Principalmente Bandou e Kurama. Bandou, que teve o braço e os olhos reconstruídos com próteses mecânicas, além de se recusar a passar por uma cirurgia de castração – pois, no instante que foi tocado pelos vetores, o soldado porta dentro de si o vírus vetor, que pode transformar seus descendentes em dicornius – é movido pelo puro ódio e desejo de vingança contra Lucy. Ele quer encontrá-la e matá-la, e, desde que se recuperou, passa os dias limpando a praia. Ele continua boca-suja e mal-educado, mas ainda assim Mayu desenvolve uma estranha afeição por ele. E o que deixa Bandou ainda mais indignado é o sentimento de que deve um favor para Mayu, o que de fato ele consegue pagar, posteriormente, quando um estranho e depravado caçador aparece atrás de Lucy... Ah, Bandou também firma um pacto com Nana - afinal, ele foi a primeira pessoa que a dicornius encontrou quando saiu da capsula - para encontrar Lucy, mas não sem antes lutar com ela.
Pior é Kurama. Apesar do jeito sisudo e da fleuma diante das situações estressantes da série, ele é apenas um peão em um processo ainda maior. O que ele descobre mais tarde é que o plano não é matar Lucy, mas capturá-la viva. O chefe dele, o Sr. Kakuzawa – o personagem fisicamente mais assustador já visto em qualquer mangá – é um cientista insano e cruel, que tem um plano ousado: usar Lucy para dar fim ao Homo Sapiens e criar uma nova humanidade. Kakuzawa pretende ser o “deus” da nova raça. Para se ter uma idéia de sua crueldade, esse cientista foi capaz de transformar, em experiência, a própria filha em uma espécie de monstro com capacidade de presenciar o futuro! Logo, a humanidade corre perigo.
Kurama só é ligado a esse homem por causa de seu passado terrível. Ele tem convicções morais bem diferentes. Ao contrário de seus colegas, ele é contrário aos procedimentos cruéis nas experiências científicas e possui muitos erros em seu passado a serem corrigidos – por exemplo, ter permitido que sua filha nascesse uma dicornius, e ter descumprido a ordem de matá-la. Ainda assim, ele prefere falar que matou a própria filha, quando na verdade ela está bem viva...
Muita coisa acontece até o desfecho do mangá. Só vou citar, ainda, a presença da jovem Nozomi no Solar Kaede. A garota, uma menina medrosa, que sofre de incontinência urinária – o que a obriga a usar fraldas – e que, contra a vontade do pai, resolve ser cantora lírica, é acolhida por Yuka e por Kouta no Solar. E tem grande importância na trama. Afinal, a música que ela está ensaiando para o exame de admissão é justamente o Elfen Lied de Hugo Wolf.
Mais: uma grande surpresa da trama é a revelação de que Lucy e Kouta já se conheciam na infância! Em uma ocasião, Lucy relembra seu passado, de quando ela conheceu o menino Kouta. Na ocasião, Lucy, que era uma menina rejeitada dentro do orfanato onde fora criada, mata as crianças que a espezinhavam – e ainda mataram um cachorrinho na sua frente. Kouta se tornaamigo de Lucy, mas uma série de mal-entendidos faz a dicornius pensar que o garoto a traiu. Foi Lucy quem matou o pai e a irmã do garoto na frente dele – entretanto, devido ao trauma, Kouta perde a memória desse ocorrido. Mas Lucy lembra – e ela fica amargurada com isso.
Tem mais: mais tarde, entra em cena um estranho professor da faculdade (filho do diretor Kakuzawa) onde Kouta estuda, que tem um estranho interesse por Lucy. Por isso, a dicornius quase se dá mal ao cruzar seu caminho. Mas a ajudante desse professor, Arakawa, uma mulher muito atrapalhada e malvestida, vai ter uma grande importância dentro da trama. Isso porque Kakuzawa força a cientista a colaborar com o projeto de espalhar o vírus vetor pelo planeta e apressar o fim da raça humana - porém, secretamente, ela, que tem o desejo de entrar para a História, pesquisa secretamente a cura para o vírus...
Muita coisa acontece nessa série. Muitas perguntas são feitas e respondidas: será que Bandou conseguirá concretizar sua vingança contra Lucy? Quais são os reais sentimentos de Kurama por Nana? Será que o que Yuka sente por Kouta é correspondido? Quais são os reais sentimentos de Kouta por Nyuu? Qual é o papel da perigosíssima filha de Kurama na trama? O que é o Lebensborn? Será que Kakuzawa conseguirá concretizá-lo? O que será da humanidade? Haverá cura para o vírus vetor? Kouta recuperará a memória perdida? E, ao tomar conhecimento da verdadeira natureza de Nyuu, se é que ela vai revelar-lhes a sua verdadeira natureza, ele será capaz de perdoá-la? Perguntas, perguntas...
Bem. Na parte do roteiro, Okamoto alterna altos e baixos: os altos ficam por conta da crueza como ele trata de temas delicados como o abuso físico e psicológico, a ética na ciência, o preconceito e, nas entrelinhas, o bullying, não apenas escolar. Cada uma destas questões é um verdadeiro soco no estômago do leitor. Difícil não terminar a leitura sem ficar perturbado. Além do mais, os humanos da série conseguem ser muito mais monstruosos que os dicornius – a exceção são os protagonistas Kouta, Yuka, Mayu e Nozomi, representantes da parcela inocente e livre da corrupção da humanidade. São através deles que o leitor encontra uma chance da humanidade se redimir. Porque, se depender de Kurama, Bandou, Kakuzawa e dos outros, temos mais é que sucumbir, esquartejados pelos dicornius.
E a crueza é ainda maior com a violência explícita: Okamoto faz as cabeças literalmente rolarem. As cenas de violência são mostradas em detalhes, e o sangue corre mesmo. E ainda existem as cenas de nudez feminina e fanservice (como calcinhas aparecendo e insinuações sexuais). Ainda bem que o mangá é não recomendável para menores de 18 anos. A série tem algum humor, mas é muito mais acentuado o dramalhão e o terror, que praticamente sublima o humor, que aparece de forma meio forçada. E mesmo a trama, que começa bem e se desenvolve bem, acaba desandando, ficando meio sem rumo perto do final.
Na parte da arte, é aí que reside a polêmica. O traço de Okamoto é bastante desajeitado para os padrões – ele mesmo admite essa deficiência. As figuras humanas, principalmente no início da série, parecem desajeitadas e desproporcionais, o que alimenta as críticas. Porém, Okamoto evita um vício que já está se tornando comum nos mangás: ele evita os quadrinhos sangrados – em que as figuras saem de dentro dos limites do quadrinho – preferindo uma diagramação de páginas mais convencional. Assim, em vez daquelas páginas pôsteres, cheias de detalhes que exigem apuro visual do leitor, Okamoto opta por uma arte mais simplificada, cenários com mais espaços vazios e alívios visuais.
Desse modo, a polêmica continua aberta: o que é mais importante, a arte ou o roteiro? Nota-se que, nos mangás atualmente publicados, o roteiro está sendo deixado em segundo plano em relação à arte, o que torna o resultado final decepcionante. ELFEN LIED foge desse vício, apesar dos defeitos.
Aah, sim, eu quase esqueci: alguns dos volumes da série são complementados por excelentes histórias curtas, que não fazem parte da série, mas que demonstram a competência do autor em contar boas histórias. Histórias onde o fantástico combina-se ao cotidiano, criando situações inusitadas, como Mol, sobre uma humana em miniatura que convive com um rapaz excêntrico e sem sentimentos, Digitópolis, sobre a convivência entre um policial e uma técnica em desarmar bombas, e a história de uma menina que reencarna no corpo de uma boneca. O final dessas histórias é o mais surpreendente possível.
Assim sendo, ELFEN LIED pode ser classificada como uma das melhores séries de mangá japonês publicadas no Brasil. Parabéns também à Panini, por mais um trabalho competente na área. Há tempos a editora está andando no caminho certo, publicando séries até o final – quando iniciou sua linha de mangás, a Panini causou polêmicas por ter deixado algumas de suas séries incompletas ou com a periodicidade incerta. Mas há de se melhorar o critério de escolha dos títulos a serem publicados, procurar trazer séries mais conhecidas, que realmente despertem o interesse.
Para encerrar: resolvi fazer um desenho da Lucy, soltando seus vectors em nossa direção. Se ficou bom, decidam vocês. É bem a cara do Sr. Okamoto.
Na próxima postagem: ELFEN LIED, o anime.
E, aos poucos, vou recuperando minha paz interna.
Até mais!

Um comentário:

Antonio Alan_Mangaká disse...

Elfen Lied não é Shounen, é um SEINEN(mangá para homens adultos), por isso apela para um conteúdo mais explícito.