domingo, 8 de agosto de 2010

BRIGADA DAS SELVAS

Olá.
No momento em que escrevo, ainda é Dia dos Pais. E hoje ajudei meu pai a fazer o churrasco de domingo - é o mínimo que eu podia fazer, como filho.
E, hoje, vou falar de quadrinhos. Não é lá muito apropriado, certamente, mas falarei.
Do novo pacote de quadrinhos que adquiri do persistente José Salles, da editora Júpiter II, hoje vou falar de BRIGADA DAS SELVAS, lançamento recente. E tive motivos para adquirir esse exemplar.
Antes de tudo, vamos falar um pouco do que se trata BRIGADA DAS SELVAS.
O grupo, uma força policial que combate o crime na Amazônia, foi criado por Aílton Elias Gonçalves, também conhecido como Aelias. Segundo informações, Aelias reside em Cruz Alta, RS (cidade do meu amigo Henrique Dornelles, o criador do Cruzaltino).
A trajetória de BRIGADA DAS SELVAS confunde-se com a de um importante fanzine editado no Brasil, o Historieta, editado pelo já falecido Oscar Kern a partir de 1972 (algumas fontes dizem 1978). Afinal, foi no número 3 do Historieta, de agosto de 1980, que Aelias estreou sua BRIGADA DAS SELVAS. Novas histórias do grupo voltaram a aparecer nos números 5 e 10 desta publicação, e, posteriormente, uma revista própria lançada pela editora Evictor, de Ribeirão Preto (SP), em 1984 - com apenas um número lançado. No entanto, BRIGADA DAS SELVAS já apareceu em diversos fanzines, sempre desenhado por Aelias. Já foi roteirizado por vários artistas, como Oscar Kern e Emir Ribeiro.
Bem, Aelias não chega a ser um conhecido meu, mas eu conheço um de seus grandes amigos e colaboradores, o roteirista e poeta Antônio Pereira Mello, meu colega do Núcleo dos Quadrinhistas de Santa Maria - Quadrinhos S. A.. Foi Mello quem me apresentou a Velta de Emir Ribeiro e o trabalho de Aelias. Colaborador assíduo do Núcleo, Mello já publicou muitas histórias escritas por ele. E, na revista oficial do Quadrinhos S. A., a Quadrante X, já foram publicadas, ou melhor, republicadas, algumas histórias roteirizadas por Mello e desenhadas por Aelias: no número 2 da publicação, saiu Cérebro Contra os Músculos; no número 4, a semi-fábula A Vida é a Maior Riqueza; e, no número 7, o conto natalino Redenção de um Assassino.
Além, é claro, de alguns roteiros do Capoeira Negro, do meu também amigo Alex Cruz, publicadas na revista. Ah: a Júpiter II também já publicou um gibi do Capoeira Negro, com uma história roteirizada por Antônio Mello. Aliás, Mello também é amigo de José Salles, e este costuma mandar revistas da editora para o Seu Antônio, que gentilmente doa esse material para o Núcleo.
Pois bem, foi por isso que adquiri BRIGADA DAS SELVAS da editora Júpiter II: as duas histórias desta edição especial foram escritas por Antônio Mello e desenhadas por Aelias.

ENTENDA MELHOR:
BRIGADA DAS SELVAS, como já se disse, é um grupo policial que atua na Amazônia Brasileira. Segundo consta, a inspiração para a criação do grupo provavelmente foi a 16a Brigada de Infantaria de Selva de Cruz Alta, RS (olhaí, Dornelles, de novo!), que foi transferida para a Amazônia mais tarde. Na melhor tradição das histórias policiais, a Brigada das Selvas atua contra o crime e os criminosos sem a utilização de superpoderes como outros heróis de quadrinhos. São seres humanos como todos nós, que atuam como os policiais de verdade devem atuar. Além disso, a região amazônica é bem retratada nos desenhos de Aelias - sua gente, seus costumes, seus cenários urbanos. Talvez a ressalva das histórias sejam as linhas grossas da arte-final de Aelias, que comprometem as figuras dos planos distantes - sem, contudo, prejudicar os planos próximos.
Dentre os soldados que fazem parte desta força policial, destacam-se: o branco Sargento Ângelo; o negro Sargento Cássio; e os índios Sargento Kenaua e Cabo Jandira. Essa mistura étnica teve influência do ideário da CETPA - Cooperativa Editora de Trabalhos de Porto Alegre, um grupo de quadrinhistas brasileiros que visava a nacionalização das HQ brasileiras.
Embora o Sargento Kenaua seja aparentemente o personagem de maior destaque, as duas histórias desta edição são estreladas pela Tenente Brenda Veronese, de origem gaúcha, de traços indígenas. Brenda, além de linda, não leva desaforo para casa: é boa de briga e não descansa até ver os casos resolvidos. Além disso, Aelias capricha em nossa preferência nacional quando desenha Brenda: a calça dela é tão justa que a bunda dela fica bem marcada! Talvez esse elemento erótico não seja proposital, é claro - pois, muitas vezes, Brenda é vista com desconfiança justamente por ser mulher, e algumas vezes ela precisa ouvir comentários machistas a seu respeito. Ah: Brenda também faz balançar o coração de seu superior, o Capitão Amorim, que se preocupa muito com ela.

AGORA, A EDIÇÃO:
Como disse, as duas histórias desta edição foram escritas por Antônio Mello.
Na primeira, A Lei Venceu o Crime, Brenda atende um chamado de um vilarejo: duas crianças foram raptadas por bandidos. Isso porque as crianças são filhas de duas testemunhas do assassinato de dois seringueiros - e desconfia-se que o mandante do sequestro seja o pai do acusado do crime. Brenda então resolve invadir a casa do tal bandido e precisa enfrentar seus capangas para salvar as crianças.
E, na segunda, Plano Diabólico, um empresário, ou melhor, um homem que se fazia passar por empresário, é assassinado em uma embarcação que se dirigia a uma cidade. É a população dessa cidade desconfia que o assassinato foi encomendado pelo sócio do tal empresário - e ameaçam linchá-lo. No entanto, o tal empresário, o verdadeiro, reaparece, e vivo - o morto seria apenas um pobre coitado que se passava por dublê do tal. E as investigações de Brenda envolvem ainda uma professora (testemunha do assassinato), um bandido caolho e o tal plano diabólico, que pode não terminar bem.
A capa desta edição especial, acima reproduzida, é de Adauto Silva. Inclui ainda galeria de capas - a capa da Historieta no. 3, onde BRIGADA DAS SELVAS estreou, e a da revista da Editora Evictor.
E estas duas histórias são de qualidade - aliás, tive a oportunidade de conhecer uma cópia dos originais, que estava com o Seu Antônio e agora está nos arquivos do Quadrinhos S. A. (quer dizer, não tenho certeza se ainda estão lá os originais...)
Para adquirir e conhecer mais esta HQ nacional, contatem: smeditora@yahoo.com.br, e visitem o blog http://jupiter2hq.blogspot.com/. O preço da edição é R$ 3,00 - mais barato que um mangá!
Para encerrar, eia aqui a minha interpretação da Brenda Veronese em continência.
Prestigiem o quadrinho nacional!
Ah, a propósito: se alguém tiver uma biografia do Ailton Elias, entrem em contato: infelizmente, a internet carece de informações sobre este artista.
Até mais!

2 comentários:

Henrique Madeira e Greice Pozzatto disse...

Olá, Rafa!!!

Excelente matéria. Vou mostrá-la ao Elias. Por coincidência, há pouco tempo perguntei-lhe sobre as páginas originais e as primeiras histórias da Brigada das Selvas. Ele disse que, infelizmente,nos anos 80 os desenhistas tinham que enviar as originais para os estúdios, que não tinham obrigação alguma de devolvê-las. A maioria das histórias da Brigada se perderam. Pouquíssimo material restou. É uma lastima...

Coincidência também, o fato de que estávamos escrevendo uma resenha sobre a Brigada, acompanhada da biografia de Elias.
Posso lhe passar, assim que concluir...

Mas rapaz... O tempo tá escasso ultimamente.

O blog tá excelente e bem informativo!!!
Um abraço!!!

André Kleinert disse...

Olá pessoal. Estou fazendo uma pesquisa sobre quadrinhos para o jornalista Goida, aqui de Porto Alegre, sendo que também preciso saber de uma informação sobre o Ailton Elia: o seu ano de nascimento. Se vocês souberem, por favor entrem em contato através do mail andrekleinert@yahoo.com.br. Abraços,
André